AS ELEIÇÕES DA MUDANÇA
As próximas eleições legislativas e presidenciais são muito importantes para o futuro de Angola. Elas deverão mudar a natureza do regime, a cultura política do Estado e as relações entre o Estado e os cidadãos.
Depois de séculos de colonialismo e décadas de independência declarada, os angolanos ainda vivem sob a tirania de um estado repressivo e discriminador, que escapa ao seu controlo. Os angolanos ainda não constituiram um modelo de Estado seu, que satisfaça os objectivos da luta pela independência e pela
As primeiras eleições para legitimar o novo Estado, previstas para 1975, não se realizaram. Ao invês de acertarem o calendário eleitoral, os líderes politicos de então resolveram envolver a Nação num conflito militar.
cidadania plena. E isto sucede, em parte, porque sempre que se trata de organizar o Estado ou eleições para legitimar os seus órgãos, os angolanos no poder confundem a defesa do interesse nacional com a defesa dos interesses pessoais.
As eleições realizadas em 1992 foram concebidas não para legitimar um novo Estado e assegurar o exercício da cidadania plena para todos, mas como culminar de um processo de cessar-fogo no quadro dos Acordos de Paz para Angola. Foram, por isso, inconclusivas para os objectivos da plena democratização da vida nacional e da legitimação do Estado.
Temos hoje, não só um Estado que manipula a riqueza nacional sem prestar contas aos cidadãos, mas uma oligarquia que se apoderou do Estado para subverter o património público e, em nome ou a coberto do Estado, fazer negócios privados.
O papel do Estado na sociedade está, pois, disvirtuado. A cultura política que inspira a administração pública está corrompida. O mandato dos legisladores em exercício expirou há vários anos. O Presidente da República carece do respaldo de um mandato eleitoral competente para lhe conferir plena legitimidade.
O interesse nacional reclama, pois, que se legitimem primeiramente as instituições do Estado. Sòmente a legitimação plena das instituições do Estado poderá conferir legitimidade plena aos actos governativos. Legitimar as instituições do Estado significa criar e garantir, em todas as províncias, e de forma irreversível, as condições de liberdade e de equidade para a realização de eleições regulares. Significa manter independente e garantir o funcionamento permanente do Conselho Nacional Eleitoral e sua máquina logística. Significa realizar já, e em boa fé, as eleições que se impõem.
Porque a constituição incumbe ao órgão Presidente da República os deveres de assegurar o cumprimento da lei constitucional e o funcionamento regular dos órgãos do Estado, este órgão, ‘Presidente da República', deve ser o primeiro a ser legitimado. A lei não confere respaldo à ideia já ventilada entre nós de considerar as eleições para o cargo de Presidente da República como segunda prioridade.
Angola vive num momento crucial da sua história. A nossa geração tem, pois, a responsabilidade de definir políticas e executar programas que resultem, de facto, no alcance pleno dos objectivos da luta secular dos angolanos pela cidadania plena, independência nacional, prosperidade económica e afirmação digna da nossa identidade africana
A minha visão sobre Angola será editada em livro próprio. Em torno dela, espero gerar consensos para o estabelecimento de uma plataforma de acção comum para construirmos a Angola dos angolanos
Visiono uma Angola democrática, unida na pluralidade política e na diversidade cultural de cidadãos livres e prósperos. Visiono uma Angola rica em tradições e cultura, solidária, plenamente inserida nos mercados mundiais e boa cidadã do mundo.
Entendo ser missão do próximo Presidente da República fazer a transição de culturas (do exercício e gestão do poder) e de objectivos estratégicos nacionais. Proponho-me a fazer a ponte da cultura autocrática e exclusivista de partido-estado para a cultura democrática, participativa e transparente das nações-estado. Proponho-me a conduzir Angola para um estágio de libertação assente não na soberania das armas, mas nos pressupostos da cidadania, da democracia participativa e do conhecimento.
Os objectivos estratégicos da minha Presidência incluem:
(a) definir e implementar programas imperativos de curto prazo para reduzir a pobreza, garantir a coesão social e dignificar as instituições do Estado;
(b) estabelecer os pilares politicos, filosóficos e institucionais para a reinvenção de Angola;
(c) instutucionalizar os programas de longo prazo que constituirão a base para o desenvolvimento de Angola e para a emancipação económica dos angolanos
Os temas incluem:
1. A Sociedade e o Estado
2. Nova Cultura de Governação
3. Estado Estratega
4. As Oito Regiões Governativas
5. Educação: Garante da Soberania Nacional e das Liberdades Individuais
6. Projectos Imperativos de Curto Prazo Para Redução da Pobreza
7. Novo Sistema de Saúde
8. O SFA- Sistema Financeiro Angolano
9. A Dignificação das Forças Armadas
10. Programa ‘Angola Profunda'
* Modelo de Desenvolvimento Para Angola
* Modelo de Parcerias Sociais Para o Financiamento da Construção de Infra-Estruturas
* Os Quinze Polos de Desenvolvimento
Além de conferir legitimidade plena às instituições do Estado, as próximas eleições irão oferecer respaldo à redefinição dos grandes objectivos e programas nacionais e irão proporcionar o clima politico, institucional e psicológico adequados à obtenção dos consensos necessários para a resolução de problemas endémicos nacionais.
Tais problemas incluem:
(1) o caos nos sistemas de produção, educação, saúde e segurança social;
(2) a conquista da cidadania plena para os excluidos pelo regime actual;
(3) a correcção das assimetrias no desenvolvimento regional;
(4) a dimensão política, cultural e económica da reconciliação nacional;
(5) a pobreza institucionalizada para as maiorias;
(6) a salvaguarda dos direitos e liberdades fundamentais;
(7) e a definição consensual do modelo de estado que melhor satisfaça as aspirações de liberdade de todos, minorias e maiorias, cabindenses e não cabindenses.
O desejo de mudança para o resgate do nosso belo país é geral. Temos que, todos juntos, num espírito de fraternidade e de respeito pela diferença, ser capazes de abordar e resolver os problemas acima identificados. Ninguém deve ser excluido desta discussão nacional. É por isso que, do ponto de vista histórico, consideramos as próximas eleições "As eleições da Mudança."
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